Lua
Solta, Rasa, Sua
Atravessando a rua
De corpo quase nua
De alma água.
Água que mata a sede,
Mar de peixes
Onde não existem redes
Mas só um feixe
De luz.
Que lhe ilumina, as coxas
Nuas.
Solta, Rasa, Sua
Atravessando a rua
De corpo quase nua
De alma água.
Água que mata a sede,
Mar de peixes
Onde não existem redes
Mas só um feixe
De luz.
Que lhe ilumina, as coxas
Nuas.
weheartit
Tenho hoje dezessete anos,
Sou míope desde que me enxergo,
Morro de medo de baratas
E de que minhas piadas percam a graça
Bem como de perder meus amigos.
Apaixonei-me três vezes
Por uma garota míope que gostava de garotas
Depois por uma menina que era míope, mas não sabia
Finalmente por uma moça de olhos perfeitos
Olhos pretos
Que se viram em mim.
Eu também a vi
Além das grossas lentes da minha armação preta
A quis mais do que qualquer outra.
A sorte me fez forte,
E em seu corpo morei,
Mas, numa manhã conturbada
Perdi os meus óculos.
E já não consigo ver
Se ela ainda me vê.
Chuva acaba
Pinga ainda na parede
Pinga, ainda em meu copo.
Sentado, sem camisa e de cueca
Pelado meu peito e o café na mão
Duro o vento sopra minha careca
O desespero feroz me almeja
Simplesmente sei que já não consigo
Foi a televisão ou talvez a Veja
O lápis firme em minha mão trêmula
Rasbica os meus vômitos de palavras
Afinal devo é ser uma mula
Esqueci meus poemas e metáforas
Esta inspiração antipática
Me repudia com todo seu desdém
Derramo café na pele que estica
Termino outro soneto de ninguém
Ao som de meu frio aerosol
Te prendo em nosso brilhante anzol
Fisgado és tu meu prêmio impensável
Tardando um combate inabalável
—Morte súbita.
(via t-h-e-b-o-o-k-s)
—Morte súbita
(Source: livrariapessoal, via livrariapessoal)